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13 dezembro 2017

Ontem à noite eu não me reconheci

Minha incapacidade de foco que aparentemente passou a fazer parte do cotidiano se intensificou e me perdi no espaço e tempo. O sono não chegava, a cama não era mais um lugar para descansar, o ventilador emitia os mesmos sons e as mesmas paredes pareciam pesadas, fui pro sofá. Ele não entendeu, estava cansado e dormiu na cama, nem mesmo ele entendeu, eu também não entendia e continuo sem entender o que aconteceu. 

Havia perdido o controle de minha mente e corpo? Só sabia sentir e cada vez sentia mais forte aquela solidão e tristeza intransferível em uma casa de 60m³, que nunca foi tão grande, com uma pessoa dormindo no quarto e três gatos, dois ao meu lado, acho que eles também perceberam que eu sentia.

A internet não pegava, eu não queria outro ventilador, as muriçocas apareceram mas tudo bem. Eu só queria entender. Nem a meditação ajudou. Eu só queria entender.

Lágrimas rolaram e eu nem sei porque, não sei o que fez elas saírem, não sei porquê. Cada vez mais a sensação de ser algo descartável, nojento, não desejável, baixo, podre, aumentavam, eu só queria que parasse. Chorei mais uma vez. Como fazer parar? 

Quase quatro da manhã, olhei para fora e o pedacinho do céu que pude ver parecia lilás. Bonito. Fui ver de perto e estava amanhecendo, o céu não estava lilás, estava azul claro misturando com o vermelho da chuva que caiu naquela noite. Não chegava a ser lilás mas era bonito mesmo assim. Estava amanhecendo. A cidade amanhecia mas eu continuava dentro de uma noite sem fim, profunda.

Voltei para o sofá. Deitei. Dois gatos ao meu redor, deitados ao meu lado. Um deles olhava fundo nos meus olhos. Ele sabia. Eu não sabia mas ele sabia e não saiu do meu lado, nem mesmo quando fui ao banheiro. Ele sabia mas permaneceu ali. Ele sabia e queria que eu soubesse que ele sabia. 
Lá fora já estava claro, não sei que horas eram. Quem estava dormindo na cama, acordou. Meio assustado veio até mim, ele não entendia e nem eu. Chamou-me para a cama, puxou-me, abraçou-me. Levantei e fui. Deitou-se ao meu lado, levou-me para si e envolveu-me com os braços. 

Parei de sentir. Não! Senti. Senti paz, não forte e avassaladora, ela parecia chegar devagar, de mansinho, aqueles braços pareciam externar toda angústia que pairava sobre mim, magicamente aliviando. Adormecendo. Me adormecendo.

*Postagem feita por Bruna Guedes*
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2 comentários:

  1. Olá!
    Rolou uma lágrima aqui no meu rosto, adorei!
    Beijos!

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    Respostas
    1. Oi Regiane,
      A Bruna realmente arrasou na postagem.

      Beijos do Deivy!

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